A Umbanda tem fundamento, e é preciso preparar: abertura e movimento no universo umbandista

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos da Universidade Federal da Bahia (Pós-Cultura IHAC/UFBA), na linha de pesquisa Cultura e Identidade. Orientador: Prof. Dr. Renato José Amorim da Silveira.

RESUMO Esta pesquisa trata do processo histórico-cultural de constituição da umbanda, tendo como referência principal a perspectiva da Thsara Universalista de Umbanda Reino dos Ciganos, terreiro localizado em Santiago – RS. Alguns elementos, entendidos nesse contexto como os fundamentos da cosmovisão e da prática umbandista, são apresentados aqui numa problematização a respeito da demarcação discursiva hegemônica das fronteiras históricoculturais da religião: o entendimento predominante entre adeptos e estudiosos de que a umbanda teria origem na iniciativa de um grupo de indivíduos de base ou inspiração kardecista, responsáveis pela organização e expansão da chamada umbanda branca, no Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX. Porém, esta demarcação exibe sua fragilidade quando contraposta ao modo pelo qual as pessoas e entidades da Thsara compreendem o processo de constituição da umbanda, já que os seus fundamentos básicos (espirituais/filosóficos e materiais/culturais) são anteriores ao movimento de organização, institucionalização e legitimação social da religião. O desenvolvimento da pesquisa teve início num levantamento bibliográfico de obras de autores umbandistas e estudos acadêmicos sobre a umbanda e sobre cultura, do qual derivou a formulação de hipóteses básicas. Depois, foi realizada uma viagem de campo para verificação e ajustamento das hipóteses, quando foram realizadas entrevistas com os responsáveis espirituais (as entidades cigana Agnara e caboclo Ogum das Matas) e materiais (a mãe-de-santo Beatriz e o cambono-chefe João Batista) pelos trabalhos da Thsara, além da coleta de documentos, anotações de campo, gravações em áudio e vídeo e fotografias. Por fim, a reflexão a partir das informações obtidas e da literatura acadêmica levou à formulação dos argumentos aqui apresentados. Os resultados deste estudo apontam para a necessidade de uma revisão dos critérios empregados na interpretação da história e das características culturais da umbanda por adeptos e acadêmicos, buscando a construção de um entendimento mais complexo e processual da constituição do universo umbandista.

Palavras-chave: umbanda; universo umbandista; fundamentos; processo de constituição.

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/8977/1/Bruno%20Faria%20Rohde.pdf

ROHDE, Bruno Faria. A umbanda tem fundamento, e é preciso preparar: abertura e movimento no universo umbandista. 154 f. 2010. Dissertação (Mestrado em Cultura e Sociedade) – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2010.

 

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